terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Antalogia Gnóstica: Bael, Belial e Babel



A – Com que direito você diz que Kwen Khan não é um Mestre? Para falar isto você tem que se basear em provas. E, logicamente, você nunca viu o Mestre nos Mundos Internos, caso contrário não estaria aí a vomitar blasfêmias.

H – Sempre a mesma lesma lerda. Já falei no meu artigo anterior (“Antalogia Gnóstica: Dimes y diretes) que para escapar das teias do fanatismo devemos nos basear na Realidade, não em fantasias. Não digo que o Mundos Internos seja uma fantasia, mas quem tem acesso aos Mundos Internos? Quem garante que suas “experiências” são 100% reais? Perguntem aos membros das outras escolas gnósticas - aquelas que vocês dizem ser lideradas por falsos mestres - se eles também não tem experiências com seus respectivos “mestres”. Irão contar casos tão maravilhosos quanto os seus. Então, este é um terreno muito movediço, onde não devemos nos arriscar. E nem precisamos. Todo mestre ou santo da História conquistou o respeito e admiração com fatos reais, testemunhados por todos.

A – Mas o Mestre Kwen Khan tem toda uma história de acontecimentos reais que respaldam sua condição de Mestre.

H – Quais acontecimentos? Construir um império de manipulação psicológica? Que tipo de nova compreensão ele trouxe de novo ao mundo? Absolutamente nada, leiam seus livros e verão que se trata de mera repetição do que Samael já tinha falado, colocado de outra forma. Escutem suas palestras, seminários e entrevistas. Uma eterna repetição da mesma coisa. Lembro-me da vez que participei de um seminário na Espanha. Já estava em crise naquele momento, questionando-me se continuaria ou não a ser missionário. Fui até ali justamente para buscar algum consolo e orientação. Era um seminário para missionários, então pensei que iria ser algo mais profundo. Quanta decepção! Os mesmos contos, as mesmas anedotas, as mesmas piadas! E o pior: todos continuam rindo destas piadas como se estivessem escutando pela primeira vez. Se isso não é loucura, eu não mais o que é ser normal. E querem tornar-se mais esclarecidos e conscientes se limitando a escutar sempre a mesma coisa?

A - Isto é sua opinião. Eu acho todas as lições de Kwen Khan muito interessantes. É minha opinião contra a sua, né?

H – Tudo bem! Já sei que com vocês não tem como mostrar 
algo que está acima de seu senso comum.  Mas vou entrar em seu jogo, e mostrar que aí dentro existem contradições gritantes. Topa?

A – Prossiga...

H – Muito bem. Sabemos que na AGEAC se preza muito a fidelidade com a Doutrina. A Doutrina é tida como algo imutável, pois foi proferida pelo Verbo Sagrado. Alguém, que a seu bel prazer, decide adulterar esta Doutrina é considerado um herege. Ou nas próprias palavras de Kwen Khan:




A – A-han...e?

H – Então tomemos a “Conjuração dos Sete”. Em todas as outras associações gnósticas, e em todos os livros que não foram publicados pela AGEAC se diz:

“Em nome de Gabriel, que Adonai te mande e te afaste daqui BAEL”

Somente na AGEAC dizemos:

“Em nome de Gabriel, que Adonai te mande e te afaste daqui BELIAL”

A – É porque todas as associações se distanciaram do conhecimento puro e começaram a propagar equívocos.

H – Qual a probabilidade estatística que TODAS as associações se equivocaram neste ponto e só a AGEAC está certa? Imaginem quantas pessoas estiveram no Movimento Gnóstico enquanto o Mestre Samael estava vivo. Esta conjuração foi proferida pelo Mestre Samael, antes de todo Ritual e antes de muitas práticas – trabalhos quase que diários. Imaginem quantas vezes, em mais de 30 anos de trabalho, o Mestre Samael proferiu esta conjuração e quantas pessoas o escutaram?

Imaginem todos os livros que contém esta conjuração foram editados quando o Mestre Samael estava vivo?

Com todos estes dados, é possível acreditar que todo um universo está equivocado e somente a AGEAC está certa? Esta é uma probabilidade muito pequena.

A – Mais é uma probabilidade...

H – Ok. Não terminei! A situação é: toda uma infinidade de pessoas e associações – algumas delas também tiveram contato direto com o Mestre Samael  - são taxadas como equivocados, e uma única pessoa detém a razão: Kwen Khan. Como então poderemos provar quem está certo?

A – Eu é quem pergunto...

H – Buscando as fontes primárias. Temos uma gravação do próprio Mestre Samael proferindo as conjurações. Veja abaixo:

http://www.gnosis2002.com/audio_B/conjuraciones_pronunciadas_por_el_maestro.zip

O que podemos dizer contra uma gravação, prova material?

A – Eu digo qu..

H – Não precisa dizer. Eu fiz a mesma pergunta ao Kwen Khan, e ele me disse que o Mestre Samael cometeu um deslize nesta situação.

A – Acontece, não é porque ele é Mestre que não pode errar.

H – Tudo bem... Mas temos mais uma gravação! Esta foi retirada do Congresso Internacional de 1976. Foi nesta oportunidade que Samael disse : Ahora habla el Ser! Ele tinha reunido todos os sacerdotes com o único propósito de ensinar “A” maneira certa de oficiar, e acabar com todas as versões alternativas que começaram a se proliferar no meio gnóstico. Imaginem, o Real Ser reúne a todos para ensinar como fazer certinho e acaba dizendo errado...seria a maior gafe cósmica depois de Sakaki e Loisos, não?




Então temos: todas as outras associações, todos os livros não editados pela AGEAC, duas gravações proferidas pelo próprio Mestre Samael...tudo contradizendo a AGEAC.

A – OK! Mas tudo isto não importa. É só revisar e pronto... Pra quê ater-se a questões tão insignificantes

H – De fato, também não dou a mínima importância se vocês estão certos ou não. O problema é outro: se Kwen Khan é um Mestre, quer dizer que ele oficia nos Mundos Internos, utilizando esta mesma conjuração, como ele mesmo explica (ver arquivo abaixo):


 


Ora, se ele afirma que oficia nos Mundos Internos, conjurando a Belial ao invés de Bael significa que: ou ele está negando ao Mestre Samael, ou ele não oficia nos Mundos Internos coisa nenhuma. Agora, se ele não oficia nos Mundos Internos (como ele diz que faz, de acordo com o e-mail acima), ele é um mentiroso. 

Então, meu amigo, entrei no seu campo, no seu jogo...e acho que já temos um xeque-mate. Mas tenho outras jogadas para lhe ensinar. Joga outra partida? 

A – Você está louco! Não adianta conversar com você! Você não entende nada! Cuidado, meu amigo, pois quem brinca com fogo, tarde o temprano ¡¡¡se quemará!!!

O entrevistador sai da sala, soltando gargalhadas macabras. Utiliza a velha tática dos que não confessam a derrota ou um erro: a desconversa elegante, buscando dar a impressão de que aquela discussão é indigna da sua altíssima pessoa. Mas porque será que ele continua a vir aqui, neste blog, se está tão seguro de si?

Antalogia Gnóstica: Dimes y diretes


Ageaquete: Hugo, explique-nos, por favor, o que aconteceu com você? Entendo que não queira mais participar da associação, mas precisava reagir tão violentamente contra todos que sempre te respeitaram? Por que tanto ódio nesse seu coraçãozinho?

Hugo: Em primeiro lugar, minha reação não foi contra TODOS, em quanto pessoas - pois não tive, nem tenho, nada contra ninguém-, mas sim contra um comportamento que é, infelizmente, praticado por todos da Associação.  Foco minhas críticas no líder da Associação, pois ele é o precursor e sustentador deste comportamento.

Em segundo lugar, não posso imaginar como minha reação poderia ser diferente. Não estamos falando aqui de fazer cara feia para um prato de comida ou para uma pessoa antipática. Reagir contra muitas coisas da vida é inútil e infantil. Mas minha reação neste caso foi contra uma mentira no campo ESPIRITUAL. Na escala das coisas importantes, talvez seja o que de há de mais importante. Não podemos, depois de perceber esta mentira, dizer: “agradeço toda ajuda que vocês me deram! Mas prefiro me retirar nestes momentos, quem sabe um dia nosso caminhos se encontram novamente”. Quem age assim não identificou a mentira, mas só está atestando sua incapacidade de seguir um caminho que leve a Verdade, desconhecendo até mesmo o por quê. Ou pode ser que até tenha identificado, mas não é capaz de reagir contra ela. Quando não se reage internamente, não se pode reagir externamente. Ou seja, de duas uma: ou é um fraco ou um covarde...

E finalmente, para mim, a mentira, quando compreendida, provoca, obrigatoriamente, aversão, repulsa e ódio. Não estou entre os que crêem que o ódio seja um sentimento abominável. Estes fingem que nada odeiam, que agem sempre pelo puro amor — mas na verdade não se pode amar o que quer que seja sem odiar aquilo que o nega ou ameaça. A escolha não é entre amor e ódio, mas entre diferentes objetos de amor e de ódio. A perversão lingüística que fez do ódio e do amor respectivamente sinônimos do mal e do bem só serviu para desorientar as pessoas e disseminar a hipocrisia que ama o bem sem odiar o mal ou odeia o mal sem amar o bem. Essa perversão é um dos mecanismos mais insidiosos de esvaziamento do cristianismo para trocá-lo por um pseudocristianismo (...). Cristo, ao contrário de todos os Gandhis de Hollywood, jamais condenou o ódio. O que Ele disse foi: "Na verdade, amais o que devíeis odiar e odiais o que devíeis amar". 1

A – Entendo teus argumentos, mas não entendo a razão deste ódio ser lançado contra a associação. A única coisa que queremos promover é o bem e a paz mundial.

H – Discursos são coisas fáceis de fazer. Mas acredito que não estamos aqui para falar bonito como num concurso de Miss Universo. O que está em jogo são nossas vidas. O problema dos gnósticos é que eles vivem num mundo utópico, ideal. Todos os dados que arbitram os conflitos presentes provêm deste mundo abstrato.  É impossível conversar com eles baseando-se estritamente na realidade. Eu acredito que a vivência espiritual deve caminhar lado a lado com a realidade. Quando perguntaram a Jesus, como identificar a Verdade Espiritual (neste caso, do próprio Jesus), Ele respondeu: “Contem o que ouviram e viram: os cegos enxergam e os paralíticos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem e os mortos se levantam”. Ou seja, se o próprio Jesus, com esta passagem, nos ensina que a chave para identificar a autenticidade do mundo espiritual é basear-se em suas repercussões REAIS e CONCRETAS, porque deveríamos fazer o contrário e nos limitar a um discurso doutrinal? Se perguntássemos aos gnósticos sobre suas Associações: “Contem o que ouviram e viram”, o que eles nos diriam?

A – Pois vimos muitas coisas! Você não pode negar que entre as Associações gnósticas, a AGEAC é a que deu mais certo, não?

H – Se “dar certo” é publicar vários livros, construir templos, ter seguidores nos cinco continentes então creio que vocês deveriam dar o título de Avatara à Sathya Sai Baba. Creio que devemos considerar “dar certo” como a contribuição efetiva que se dá a cada indivíduo, não importa quantos sejam...

A – Mas é justamente isso que estamos tentando fazer. Estamos sacrificando nossas vidas para promover o bem. Todos os nossos esforços são em vão para você?

H – Não nego que possam ajudar uma pessoa ou fazer um bem efetivo a quem quer que seja. Isto depende da capacidade e vontade de cada um, não importando onde se esteja. O que estou dizendo é que o ambiente da associação é altamente prejudicial. Por mais que um bem provisório seja feito, o mal que a Associação causa, sempre prevalece. No final, a manipulação e o fanatismo absorvem a todos. Repito, para chegar a esta conclusão, estou me baseando na realidade e não nas intenções angelicais de cada um de vocês.

A – Tudo bem! Mas qual realidade você está vendo que nós não estamos!?!? Por acaso você é superior a todos nós!?

H – Não é que eu seja superior e que vocês não possam ver. É uma questão de querer ver. Se você começa a comparar a realidade com o discurso da Associação, você verá uma distância abismal. Depois de passados tantos anos existindo, qual foi o legado cultural efetivo que a Associação deixou? Parem para pensar e reflitam. Mas quando refletirem evitem duas falácias recorrentes: misturar as ações da Associação com suas intenções ou misturá-las com a doutrina que ela defende. Não há como criticar as intenções ou a Doutrina, pois ambas as coisas refletem valores bons e positivos. Entendam que uma coisa são suas intenções e a doutrina e outra coisa totalmente diferente é a Associação - o meio que estes elementos possuem para vir à realidade.

A – Acho que você só está revoltado porque deve ter escutado algumas fofocas e burburinhos entre os missionários ou na Internet, e acabou confuso e perdido...

H – Não me estranha que pense assim, pois este é, precisamente, a explicação do Sr. Kwen Khan. Tudo para ele é: “tal pessoa se deixou influenciar por dimes y diretes”. O interessante é que esta seria a frase perfeita para explicar todas as contradições da própria Associação: é o próprio Kwen Khan e todos seus seguidores que se valem de dimes y diretes para sustentar suas posições, ou seja, se valem de coisas abstratas, que não vão ao cerne da questão: discursos idealistas, evasivas doutrinais e enaltecimento de resultados pouco relevantes (livros editados, templos, número de seguidores, etc.).
O que há que se comparar com os fatos é o papel que a Associação se impôs. O objetivo da Associação não é somente entregar a doutrina. Ela se colocou numa posição muito exigente: representar um dos poucos veículos (único?) capazes de ajudar e transformar o mundo, de selecionar e preparar o povo escolhido, etc. E isto não é qualquer coisa. E a realidade? Isto está realmente acontecendo? Não há como negar que, na prática, o que se têm é uma pobreza intelectual, cultural e espiritual. É um movimento mundial incapaz de compreender o mundo - e muito menos a si mesmo-, mas que se sente com suficiente poder e autoridade para agir nele e transformá-lo.

A – Se você nega os propósitos da Associação, você nega a todas as religiões, pois é isso que todas elas propõem...

H – E por isso são chamadas de religiões. As religiões são um conjunto de valores e ideias que se encontram nas esferas da perfeição, para servirem de referência e guia para todos nós. Mas é aí que entra a falácia em seus raciocínios que mencionei há pouco. Não há nenhum problema vocês seguirem a religião (doutrina) gnóstica. O problema é quando os valores doutrinais são confundidos com os da Associação. Isto feito, a Associação se reveste com a roupagem da perfeição, que deveria existir somente no mundo soberano dos ideais. Com esta aparência, a instituição – e seu líder - ganha poderes extraordinários, capaz de reduzir a todos vocês à meras ovelhinhas obedientes.

A – Ok! Você fala demais, mas ainda não mencionou nada de concreto que pudesse incriminar a Associação. Eu participo dela há muito mais tempo que você e nunca vi nada de tão grave que mereça tanto alarde.

H – Vocês esperam que eu venha com provas de crimes gritantes como assassinatos, roubos, abusos sexuais, etc. Eu não me refiro a estes crimes materiais, que realmente nunca testemunhei, mas sim à um crime mais oculto – e por isso mesmo raramente percebido -, de ordem psicológica. O crime, em síntese, consiste em:
1 – Apresentar-se como causa especial, única capaz de realizar um bem maior, criando um sentimento de exclusividade, como se não houvesse outro lugar onde este bem pudesse ser buscado de forma tão eficaz e duradoura (ver meu artigo, “Doenças gnósticas: A exaltação imaginativa”). 
2 – Aproveitar-se do prestígio adquirido para que todas as pessoas que “estão dentro” acatem todas as ordens e orientações sem pestanejar (ver meu artigo, “Lógica Branca e Lógica Negra”)
3 – Controlar o poder adquirido através de manobras de coação psicológica que vão desde críticas sutis à espetáculos de humilhação pública.
As consequências são evidentes em todos integrantes: perda da autonomia; castração da inteligência; sentimento de culpa e inferioridade; dificuldade de socialização com “os de fora” por razões óbvias; dificuldades de socialização com “os de dentro” graças a pressão ambiental causada pelas exigências sociais do meio; sentimento de não estar cumprindo as propostas exigidas; isolamento; depressão e outros distúrbios psicológicos.

Eu vivi nesse meio, sei do que estou falando. Se eu decidi sair da Associação foi porque, num primeiro momento, vi toda hipocrisia existente em mim mesmo, em minhas ações. Só depois de algum tempo é que caiu a ficha de que o meu sentimento era a miniatura do espírito institucional, e que só cheguei naquela situação graças à influência deste mesmo espírito.

A – Bom, que a Associação é um dos únicos veículos ligados à Loja Branca, é verdade. Mas não vejo como isto pode ser prejudicial.

H – Num ambiente de exaltação imaginativa, o único que existe é a dança do orgulho e da vaidade. Todo um jogo asqueroso de querer parecer uma coisa que não se é, uma busca incessante de se alinhar às regras do jogo para conquistar a aprovação dos outros, que só faz trazer uma série de circunstâncias negativas: panelinhas, intrigas, dissimulações, fingimentos, decepções, humilhações...

Quando um valor não é preenchido com a própria substância pessoal, de forma sincera, tende-se a criar um invólucro falso para esconder a pobreza interior. Forma-se assim uma personalidade postiça – neste caso, uma personalidade gnosticóide -, com sua maneira peculiar de pensar, agir, falar, etc. Num ambiente onde há uma forte exigência pelas aparências, esta personalidade é admirada por todos, pois é o elemento que alcançou a maior proximidade dos valores defendidos. Assim, por imitação, os integrantes do meio incorporam esta personalidade, que acaba se tornando, portanto, uma personalidade social. É aí que começa o jogo de manipulação psicológica: aqueles que se adaptam a esta personalidade social são apreciados e paparicados pelos “de dentro”; e os que não conseguem se ajustar são mal vistos, atacados, a todo momento, por críticas sutis, repulsas dissimuladas e embargos sociais. O sujeito que ainda não vestiu os trajes oferecidos pelo grupo, mas que quer continuar dentro dele, começa a se sentir cada vez mais diferente, estranho, complicado, não vendo outro remédio senão adaptar-se. Enfim o poder da coletividade se impõe, minando sua integridade individual. Ele, por fim, se entrega, não percebendo que o que está entregando é sua autonomia. Para dar um brilho ao espetáculo, o sujeito, já incorporando o novo personagem – sua nova personalidade –, comovido e com os olhos cheios de lágrimas, exclama: “Eu me converti! Eu me converti!”. Digno de um Óscar! (com o perdão do trocadilho).

Não é à toa que o esporte favorito dos gnósticos é criticar os outros gnósticos. Basta pintar uma oportunidade onde se reúnem algum deles para começar: um a um, todo companheiro (que está ausente no momento, logicamente) é lançado na roda das conversas para receber seu veredito. Poderia se objetar dizendo que isto é feito só por aqueles que “não fazem seu trabalho psicológico”, mas não é! Eu digo que os piores são aqueles que estão na cabeça da Associação e até mesmo a própria Cabeça da Associação. Quantas vezes presenciei estas cenas, protagonizadas pelo próprio Kwen Khan e todos os seus “braços direitos”. No período de uma refeição, palitavam os dentes e cuspiam julgamentos.

Só para citar um exemplo, uma vez que estávamos todos à mesa, dentro dos limites “sagrados” do monastério, e depois de alguns tantos passarem sobre a lupa crítica dos presentes, chegou a vez de um senhor italiano. Este senhor havia acompanhado um grupo dissidente na Itália, mas posteriormente voltou atrás e reintegrou-se à AGEAC. Então, uma senhora tomou a palavra e contou que quando era celebrado o Congresso da Índia, pouco tempo depois do retorno deste senhor à AGEAC, ele reencontrou um antigo companheiro canadense com o qual realizou o curso de missionários e que não via há algum tempo. Como era de se esperar, o senhor italiano foi ao encontro deste amigo para cumprimentá-lo efusivamente. Mas para sua surpresa, não foi recebido com a mesma alegria. Seu amigo se afastou e disse: “Não cumprimento traidores”. Finado o conto, a senhora que o narrava, concluiu, se referindo ao senhor canadense: “Este sim é um missionário fiel. Deveríamos ser sempre firmes assim para dar o exemplo”.

Que tipo de amor pela humanidade é esse? A quem querem ajudar agindo assim? Coloquem-se na posição do senhor italiano por um minuto. Imaginem todo o esforço que teve que fazer, pisando em seu orgulho, para voltar à AGEAC e participar de um evento onde teria que enfrentar a todos com seus olhares insidiosos. Imaginem todo sentimento de culpa e de remordimento que já carregava? Além de tudo isto, ele precisava receber ainda outro julgamento externo - de seus “irmãos” -, para pulverizar o pouco de dignidade e autoestima que lhe restara? Não tenho dúvidas de que ele saiu dali pior do que entrou. Saiu se sentindo mais culpado, mais errado, mais fraco... E o pior, mais dependente da Associação. Poderia sair como um Jean Valjean, mas saiu como um Jean-ninguém.

Agora pergunto: e Kwen Khan, presente ali na mesa, vendo todos com as pedras nas mãos, por acaso disse: “quem de vocês não tiver pecado, atire a primeira pedra”? Nada disso... Ao contrário balançava a cabeça afirmativamente como que aprovando todo o veredito.

Podem pensar que isto foi um acidente ou um caso isolado, mas não é. É o comportamento habitual dos “de dentro”. Não hesito em afirmar que são comportamentos como esse que mantém a associação existindo, pois desfragmentam a personalidade dos integrantes, deixando-os sem força alguma para reagir contra o que quer que seja, não restando mais remédio que se esconder apavorados debaixo dos braços paternais da Associação. E isto acontece não só na esfera social, mas também no âmbito intelectual, estético, moral e espiritual. E é este tipo de coisas que odeio.

A – Quem é você para falar estas coisas!? Moleque! Como se você tivesse uma alternativa melhor?

H – Não, não tenho nenhuma outra alternativa! Graças a Deus! Prefiro confessar minha ignorância e incompetência. A única coisa que tenho certeza é que dentro da AGEAC, o caminho é de perdição e loucura. Não é porque tenho certeza de que um caminho é errado que tenho um caminho melhor a oferecer. Não sou nenhum avatara, salvador ou guia. Só acho que é melhor estar em dúvida do que estar convicto no erro. Afinal, o zero é superior ao negativo, não é?

E moleque é a mãe...


O entrevistado deixa a sala. O entrevistador permanece sentado, roendo as unhas, visivelmente abalado. Sente uma necessidade urgente de compartilhar o conversado com os outros irmãos gnósticos, pois sabe que depois de alguma conversa, a comunidade de sentimentos e de explicações estapafúrdias irá criar uma atmosfera de comprovação intersubjetiva, dando consistência real aos seus diagnósticos distorcidos e subjetivistas, legitimando, assim, seus discursos contra a mediocridade e grosseria do entrevistado. E assim, submerso numa verdade social, esquecem daquilo que mais pregam: a verdade pessoal e objetiva.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Lógica Branca e Lógica Negra

“ABRA LOS OJOS HERMANA Y DESE CUENTA QUE ESTA ES UNA GUERRA ENTRE LA LOGIA NEGRA Y LA LOGIA BLANCA. ¿Usted no se da cuenta o no quiere darse cuenta de que su propio marido piensa de usted y de todos nosotros que somos unos payasos?” 
Kwen Khan

O fenômeno mais interessante a ser estudado no ambiente de uma seita pseudomística é o estado de alienação que domina seus integrantes. Tudo se inicia nos primeiros contatos, quando o sujeito estabelece uma relação de confiança com a organização. Os discursos parecem convincentes, as idéias interessantes e a proposta de vida começa a preencher um vazio que se arrastava quando a vida era somente aquela monótona rotina. A relação vai se intensificando, ficando mais séria, até que a “nova causa” ganha o status de sagrado, tornando-se para o indivíduo uma autoridade soberana que não pode ser discutida. A partir daí, toda ordem proveniente da organização já é, por pressuposto, verdadeira e absoluta. E o indivíduo, reduzido a um pateta, as acata com impávida segurança. 

Assim, a organização adquire salvo-conduto para agir como quiser. Alçada às esferas da perfeição, ela pode até cometer um crime, pois sabe que logo será absolvida por seus integrantes, que se encarregarão em transformar o ato delinquente em ação virtuosa, ação esta impossível de ser compreendida pelos “de fora”, meros mortais. Desta forma, a calúnia pode se tornar uma revelação divina; a indiferença, firmeza de propósitos; a condescendência, fidelidade. Em níveis mais extremos, roubar pode ser visto como compensação equitativa; um assassinato, defesa do sagrado; e o suicídio coletivo, sacrifício expiatório. Não importa qual seja o fim, ele sempre será bom, bastando criar as falácias que o sustente. 

Vejamos um exemplo evidente, que ocorreu na AGEAC: a expulsão de uma “irmã” que, na medida do possível, manteve uma postura correta dentro da associação e cujo único crime foi ter um marido que achava que esta mesma associação, que ele abandonara, estava formado por palhaços; expulsão esta feita num rompante quixotesco, um espetáculo de humilhação pública, como se o acusador fosse o guardião absoluto da verdade ou a própria balança do Juízo Final. Diante de tal situação, qual foi a explicação que cada um dos espectadores forjou para continuar se sentindo dentro de um ambiente de justiça e amor ao próximo? 

De um lado têm-se os fatos, os dados conhecidos por todos: o trabalho público desta “irmã”, sempre buscando fazê-lo de forma sincera e desinteressada, através de anos de dedicação quase que exclusiva. De outro lado têm-se as hipóteses, as acusações levianas sem embasamento factual algum. Estas situações justapostas se impõem ante o espectador, colocando-o numa situação embaraçosa: o agente das aparentes injustiças é o mesmo que ele admira e reverencia como bastião da verdade e da justiça.

Ninguém em sã consciência é capaz de deixar estas contradições largadas em sua psique, lhe remoendo a todo o momento. Estas tensões conflitantes precisam ser resolvidas para devolver ao indivíduo o estado de conforto e bem estar de outrora. É então que se dispara, no subconsciente de cada um, uma série de reflexos condicionados que agem para encontrar a esperada resolução. Este é um instante crítico, altamente revelador e ilustrativo, que se bem observado é capaz de explicitar todo o funcionamento mecânico da psique, atuando para acobertar os fatos e dados e, assim, entregar a razão à autoridade que tanto é prezada intimamente, a Associação.

O interessante desta tendência é que o fato em si nunca é julgado, e mesmo raramente analisado. Ninguém irá buscar saber mais sobre o ocorrido, escutar as duas partes envolvidas ou dar a elas um direito de defesa. O espectador, ou até mesmo a testemunha presencial, foge do problema exterior, porque, no fundo, este é sobreposto por outro, de ordem interior: a necessidade de se sentir do lado certo. A situação exterior acaba perdendo toda relevância real para o indivíduo e, por isso mesmo, é deixada sem solução, quando não totalmente esquecida. O que é mesmo relevante e urgente é o arranjo de sua própria situação, inteiramente pessoal – por que não, egoísta? - de se sentir certo, e nunca enganado.  Diante do dilema interior, ele não pode permanecer inerte ou indiferente, pois, este sim, possui uma importância crucial à sua consciência, que exige uma resolução imediata. 

Como o indivíduo já entregou anteriormente a razão nas mãos da Associação e toda sua vida – seus objetivos, seus ideais, suas crenças, suas atividades, seu círculo social – está alinhada com os propósitos da mesma, negar a Associação seria negar a si mesmo. Como ele não quer confessar seu engano, ele foge da realidade, criando toda uma série de subterfúgios para que esta se encaixe forçosamente às suas fantasias. Assim, ele pode voltar a se sentir aliviado, sentir-se fazendo a coisa certa, não percebendo que com isso está entregando sua alma, sua autonomia, a este macabro jogo de manipulação psicológica. Em suma, toda reação às situações adversas (aquelas que ameaçam suas “convicções” internas) é mero instinto de preservação, cujo reflexo é buscar a sensação de segurança, nem que para isso tenha que se criar uma lógica totalmente fantástica, que sustente sua posição, a despeito dos fatos mais óbvios e patentes presenciados.

Para fins ilustrativos, sabe qual foi a explicação que ouvi da boca de alguns integrantes da AGEAC, quanto a expulsão acima mencionada? Divirtam-se:
a) A “irmã” traiu uma escola de mistério na época do Egito Antigo e agora tem que pagar Karma, sendo (aparentemente) injustiçada e humilhada.
b) Existe alguma coisa por traz disso tudo que não podemos saber.
c) Kwen Khan fez isso para que a “irmã” e seu marido permanecessem juntos.
d) Kwen Khan foi influenciado por sua própria esposa, que o incitou a fazê-lo (sic!)
e) Isto são coisas que acontecem.
f) Foi uma prova que a “irmã” teve que passar.

Confesso que o último destes disparates me incomodou. Ainda estava com alguns resquícios do pensamento apatetado criado durante os anos que estive dentro da Associação. Mas nada que uma análise mais profunda pudesse resolver. Vejamos. Não podemos negar a existência das provações, elas fazem parte da vivência espiritual. O que se é provado são sempre os valores da pessoa, seu caráter, sua fé, seu compromisso com a Verdade, etc. Neste caso, portanto, a “irmã” em questão deveria julgar a si mesmo, fazer uma revisão de seus atos com o intuito de buscar por seus erros e deslizes. Sem muito esforço, ela iria chegar a conclusão de que não havia nada que a incriminasse ou que a fizesse merecer tão severa decisão e humilhação. Sendo assim, qual deveria ser sua reação? Acatar tacitamente uma culpa que não lhe corresponde, simplesmente para continuar dentro da Associação; ou manter-se firme em sua dignidade, aguardando valentemente o desfecho do caso? Se realmente fosse uma prova espiritual, a resposta seria se posicionar do lado da verdade testemunhada e não se dobrar diante da injustiça por um mero aceite social; manter-se serena no olho do furacão, pois logo tudo se acalmaria; logo, o “Mestre” a felicitaria, pois seu compromisso com a Verdade foi maior do que o compromisso com uma situação contingente e “horizontal”. Como isso não ocorreu, é lógico que não se tratava de uma prova coisíssima nenhuma!

Mas na cabeça dos integrantes da Associação, a prova é outra. Trata-se simplesmente de aceitar a humilhação, humilhar-se diante de todos e de si mesmo, voltar rastejando aos portões da associação e implorar para entrar. É uma prova de obediência e não de valores; um adestramento, e não um exercício para a emancipação individual. Quantas pessoas vieram a mencionada “irmã”, pedindo para que ela se desculpasse! Só se esqueceram de dizer do quê se desculpar. Uma pessoa que aceita ou incentiva estes tipos humilhações masoquistas, fazendo poses de modéstia e santidade, não é digna a nada que soe a espiritual, pois ainda não é capaz de ser firme e sincera consigo mesma. Como poderá ser diferente diante do mundo e de Deus?

Não, Sr. Kwen Khan. Não se trata de uma guerra entre a Loja Branca e a Loja Negra. O jogo aqui é entre aqueles que se decidem por uma Lógica Branca ou uma Lógica Negra. Deixemos o desfecho deste artigo para o filósofo-poeta, que em sua sinceridade e firmeza, perante a si mesmo, ao mundo e a Deus, concluiu magistralmente:

Mas por que a verdade gera o ódio? Por que os homens olham como inimigo aquele que a prega em teu nome, uma vez que amam a felicidade, que mais não é que a alegria nascida da verdade? Talvez por amarem a verdade de tal modo que tudo de diferente que amam, querem que seja verdade; e, não admitindo ser enganados, também não querem ser convencidos de seu erro. Desse modo, detestam a verdade por amarem aquilo que tomam pela verdade. Amam-na quando ela brilha, mas odeiam-na quando os repreende; e, como não querem ser enganados, mas enganar, eles a amam quando ela se manifesta, mas a odeiam quando ela os denuncia. Porém ela os castiga; não querem ser descobertos pela verdade, mas esta os denuncia, sem que por isso se manifeste a eles.  É assim o coração do homem! Cego e débil, torpe e indecoroso: quer permanecer oculto, mas não quer que nada lhe seja ocultado. Em castigo, sucede-lhe o contrário: não consegue esconder-se da verdade, enquanto esta lhe continua oculta. Contudo, apesar de tão infeliz, prefere encontrar alegrias na verdade que no erro. Será, portanto, feliz quando, livre de perturbações, se alegrar somente na Verdade, origem de tudo o que é verdadeiro.  

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Os Guias e os Cegos

O truque mais sórdido da mentira ideológica é se fazer passar por verdade. Se fosse mentira pura e simples só seria capaz de reunir nada mais que meia dúzia de loucos, frustrados e imorais convictos. Mas se valendo da verdade, seu poder de persuasão se multiplica ao infinito, capaz agora de conquistar uma horda de defensores incondicionais. É se apresentando como o caminho para a materialização das mais nobres e puras aspirações humanas que o mal consegue encantar, ao tempo que ilude. Toda sua carga negativa fica sempre encoberta por detrás de uma promessa que, em si, é boa e bela.

Não há imagem melhor desta artimanha que aquela mencionada nos Evangelhos: o lobo com vestes de cordeiro. Mas um lobo é sempre um lobo, por mais que se esforce em camuflar suas ações, seu impulso animal ou mesmo um deslize acidental deixa transparecer, às vezes, seu real aspecto: feio e mal. São oportunidades únicas, mas autoevidentes. Mas nada que pareça deixar as mansas ovelhas desconcertadas por muito tempo. Já que o que se vê é somente a familiar cobertura alva e macia, torna-se inconcebível que tal agente, que prega tão lindos valores, possa praticar o mal deliberadamente.

Desta forma, toda ação substancialmente negativa é ignorada. Os fatos são negligenciados, através de uma série de reflexos autômatos, deixando o discurso ideológico como única referência válida para julgamento dos conflitos vigentes. Como o exaltado discurso – que sempre é bom e belo – é o que conta, o mal sempre se safa, saindo de todo embaraço com classe e elegância.

A repetição constante deste processo deixa o mal numa condição confortável. Acomodando-se à mansidão e obediência do meio, ele encontra terreno aberto para agir livremente de acordo com sua índole, suas ações vão se tornando cada vez menos brandas e dissimuladas para tornarem-se cada vez mais manifestadamente perversas e prejudiciais. Se não encontrar nenhum tipo de resistência, esta tendência continuará até que, finalmente, o mal seja completamente revelado. Coisa parecida com a atuação dos monstros marinhos nos contos antigos. Considerados mera invencionice popular, estes só podiam causar um apático temor infantil, já que ninguém conhecia realmente o objeto a ser temido. E eis que, quando menos se espera, eles surgem das profundezas. Frente a frente com a besta, fitando os olhos de Mefisto, contempla-se, por fim, toda sua macabra crueldade. Infelizmente, quando tudo parecer tão claro, é quando toda reação pode ser um tanto tarde.

Por causar agora danos demasiado graves e aberrantes, o público é obrigado a ver, desolado, a totalidade do espetáculo: não mais só a fábula agradável que se passa no palco, mas agora também a verdade contraditória que surge dos bastidores. No curso da História da humanidade presenciamos vários destes momentos críticos: guerras, ditaduras, golpes de Estado, revoluções, morticínios, campos de concentração... Todos estes episódios são os testemunhos fiéis da atuação lenta e traiçoeira do mal, através da mentira ideológica.

Há ainda aqueles que mesmo depois de passadas estas páginas negras da história insistem em atenuar os danos nefastos e enaltecer os aspectos positivos (as intenções, os projetos, as promessas). Estas pessoas estão aí para mostrar-nos o cúmulo do idealismo psicótico, nos servindo como medida máxima para aferir o nível moral e patológico do movimento em questão. Olhar para elas deveria causar-nos o mesmo arrepio que quando contemplamos um demente: temos pavor que sua desgraça recaia sobre nós um dia. 

Agora, se levássemos estes fatos ao tribunal de nossas consciências, quem seriam os culpados? Seria possível que um Hitler, um Stálin ou um Che Guevara conseguissem, sozinhos, fazer tanto dano? Toda aquela massa que os seguiam - sim, pessoas simples e trabalhadoras – se eximem desta culpa? E todos aqueles tantos que tiveram um mau presságio quanto ao rumo dos acontecimentos, mas não se esforçaram para saber mais? Ou ainda, todos aqueles que conseguiram vaticinar com certidão o futuro obscuro, justamente por estudar o rumo dos acontecimentos, mas nada fizeram? Colocados os pesos na balança não há como não acatar o veredito que condena tanto a uns – os guias – quanto aos outros – os cegos, os que não querem ver e os que mesmo vendo não se mexem. Afinal, a ferida só veio a sangrar graças à atividade sorrateira dos maus e a passividade letárgica dos bons.


Obviamente, suas penas possuem diferentes gravidades já que um crime é doloso e o outro, culposo. Aos primeiros, não há mais saída que o castigo e a esperança do arrependimento. "É impossível que não haja escândalos, mas ai daquele por quem eles vêm! (...) Tomai cuidado de vós mesmos. Se teu irmão pecar, repreende-o; se se arrepender, perdoa-lhe". Aos outros, a pena é remida com conhecimento e postura. "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem".

As metas reais e superiores da existência humana não são para os fracos, tímidos e indolentes. Não é à toa que todo ensinamento verdadeiramente espiritual professado através das idades tem como objetivo básico equipar ao indivíduo com uma série de instrumentos de defesa de sua integridade e de desenvolvimento de sua autonomia. Sem uma sólida ascese espiritual que o faça discernir a verdade da mentira e, por conseguinte, que o force a se posicionar em favor  desta verdade, o homem se tornará um objeto inerme nas mãos das forças mundanas.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Kwen Khan, El Gran Alquimista

Escrito está na doutrina gnóstica: “O ‘Gênesis’ é um livro de Alquimia para alquimistas, e é somente entendido no Laboratório da Alquimia. De maneira que mediante a Alquimia pode-se criar Homens verdadeiros, que sejam capazes de viajar de esfera em esfera, de mundo em mundo”.

Todo mestre gnóstico é um verdadeiro Alquimista. É capaz de escudrinhar os tratados esotéricos e ver aquilo que o homem comum não vê. Utilizando sua penetrante intuição, desvela os véus que encobrem o verdadeiro ensinamento. Logo, por misericórdia, transmite esta sabedoria à humanidade doente. E por amor à Verdade é capaz de desmascarar os traidores e desconcertar os tiranos. Vejamos este incrível episódio narrado pelo excelso, o V.M. Kwen Khan:


"(...) o que me tirou todas as dúvidas [sobre o ensinamento] foi o corpo lógico da doutrina, que é muito lógico. (...) Eu perguntei uma vez, a um cardeal (em uma entrevista numa rádio, onde estávamos um maçom, um rosa-cruz, um psicólogo, o cardeal e minha pessoa):
- Bom, tenho uma pergunta para o cardeal. Explique-me, considerando que Adão e Eva tiveram somente dois filhos homens, de onde viemos todos?   - E então ele saiu pela tangente:
- Bom, isso são coisas que pertencem ao mistério, ao dogma.
- Não, não, não! Vocês são uma religião e nos querem levar à Deus? Pois como nos levará dizendo que tudo são dogmas? Explique-me... 
E ele não pode responder. Perguntei ao maçom, tampouco; ao rosa-cruz, tampouco; ao psicólogo, menos. 
- Então agora me deixe explicar! – e expliquei.(...) Expliquei tudo e no final o cardeal estava assim [risos]. Foram duas horas de perguntas (...) E no final do programa, o diretor, perguntou ao cardeal: 
- E você como fica com todas estas coisas que diz a Gnose? - Então ele respondeu: 
- Não me resta admitir que devemos ser gnósticos da cabeça aos pés para entender o Universo – pelo menos foi honesto [sic!]

Que lógica arrebatadora! Ao pobre cardeal não restou mais remédio que se juntar ao seu oponente, para evitar sua humilhação pública. “Se não podes vencê-lo, junte-se a ele”, deve ter pensado o cardeal vencido. Não ocorreu ao coitadinho pegar a Bíblia e ler a seguinte frase:
Depois de haver gerado Set, Adão viveu oitocentos anos e gerou filhos e filhas. (Gênesis 5:4)
 Ou seja, o Todo-Poderoso Kwen Khan, profundo conhecedor da sabedoria alquímica e cabalística, nunca pegou numa única Bíblia para estudar. Se o tivesse feito, teria se dado conta que Adão e Eva teve filhos e filhas, além dos dois que são destacados na história (na verdade três; Kwen Khan não conheceu também à Set). 

Talvez seja por que seu terceiro olho vê aquilo que os pobres mortais não veem: coisas inexistentes! Aliás, todo o episódio por ele narrado parece muito fantástico para ser verdade: como pode um cardeal não saber disso? E o pior: como pode um cardeal dizer que todos “devemos ser gnósticos dos pés a cabeça”? Logo ele que, como católico, é contra a gnose...

Louvados sejam os seres divinos! Glória eterna à suas inteligências iluminadas! Lembradas sempre serão suas palavras, quando não para nos entregar preciosas lições, servem, ao menos, para causar-nos boas gargalhadas!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Doenças gnósticas: A EXALTAÇÃO IMAGINATIVA

Qual o sentido da vida? Porque estamos aqui? Estas questões corriqueiras, já tão gastas pelo uso, podem soar aborrecedoras ou mesmo oportunistas a muitos ouvidos, quando recebidas desde o mundo exterior. Entretanto, não há no planeta um único indivíduo vivo que, no silêncio de sua intimidade, possa permanecer indiferente diante de tão severas interrogantes, quando elas ressurgem de seu mundo interior. A busca de sentido é o impulso mais urgente da alma, que persevera em ver um significado superior em sua existência. Podemos aturar tudo, exceto a falta de sentido para a vida.

Para fugir da mesquinhez, do absurdo e da monotonia de uma vida sem sentido o homem cultiva dentro de si variada sorte de ideais. O ideal é a meta, age como um ímã que atrai nossas forças psíquicas à uma direção única, impulsionando nossos pensamentos, sentimentos e ações a trabalharem em sinergia para consecução do bem almejado. O ideal é o porto final a desembarcar, a Ítaca de Ulisses, onde se encontram todos os valores prezados à alma, que nos fazem acreditar que vale a pena enfrentar qualquer sacrifício ou desafio. 

Por todas suas características, o ideal deve sempre estar projetado no futuro, como algo ainda não alcançado, mas passível de realização. E para que as aspirações do homem possam se concretizar, transformando-se em atos e obras, são necessárias duas posturas correlatas: humildade e admiração. A humildade coloca o ideal em sua função e lugar exato em nossas almas, ou seja, ajuda-o a ser um referencial futuro que arbitra as situações do presente; a admiração nos incentiva a persegui-lo. Qualquer desobediência a essas duas premissas podem causar sérios danos à pessoa, às suas relações sociais e, pior ainda, desviá-lo do ideal mesmo. Um destes processos de desviação foi denominado pelo psicólogo Paul Diel de “exaltação imaginativa”. Vejamos os comentários do Prof. Olavo de Carvalho a este respeito:
A exaltação imaginativa é um estado em que a mente, embevecida com o seu ideal, se identifica mais ou menos inconscientemente com ele e atribui a si as perfeições que a ele pertencem, como se já as tivesse realizado. Para Diel, o símbolo por excelência da exaltação imaginativa é o vôo de Ícaro. As asas de cera representam a força da imaginação, que só pode elevar aos ares um corpo imaginário. O exaltado toma o potencial por atual, imaginando possuir as perfeições a que aspira. Por isto mesmo, sua alma experimenta, como num choque de retorno, um sentimento de estranheza e de impotência perante o mundo, que não cede, como ele esperava, aos seus encantos ou poderes. Acuado pelas exigências da realidade, ele exacerba ainda mais sua adoração de si mesmo diante de um mundo que ele julga vil, mesquinho e incompreensivo, quando na verdade é ele mesmo quem não compreende o mundo e, por não compreendê-lo, está impotente para agir nele. É a síndrome do "jovem incompreendido", que, pela simples razão de ter aspirações elevadas — ou que lhe pareçam elevadas — já se sente ipso facto superior ao seu ambiente e, portanto, limitado ou coagido pela mesquinhez real ou aparente dos pais, da escola, da sociedade, do emprego, etc. Nem sempre ele declara seu sentimento em voz alta; uma vaga intuição do caráter doentio do seu estado pode envolver este sentimento numa complexa rede de disfarces, atenuações e racionalizações muito difícil de deslindar. Também é certo que seu diagnóstico depreciativo sobre o mundo em torno pode ser, em si mesmo, objetivamente verdadeiro, sendo falso apenas o lugar e a função que ocupa na sua alma, já que a degradação do mundo lhe aparece, por vezes ao menos, como uma espécie de contraprova de suas próprias qualidades excelsas. Não raro o doente alia-se a outros jovens imbuídos do mesmo sentimento, em busca de apoio e confirmação de suas queixas contra o mundo. A comunidade de sentimentos e a repetição das queixas, criando uma atmosfera de comprovação intersubjetiva, parece dar consistência real ao diagnóstico distorcido e subjetivista que cada um dos membros do grupo faz quanto ao estado do mundo, legitimando seu discurso contra a mediocridade e grosseria das pessoas "de fora". "Estar dentro" do grupo é então sinal de uma espécie de eleição, a prova de uma qualidade excelsa e incomunicável. O sentimento de ter acesso a algo misterioso, profundo, especial, pode exacerbar a exaltação imaginativa ao ponto de provocar uma verdadeira ruptura com a realidade ambiente, incapacitando o indivíduo para o cumprimento dos deveres sociais mais elementares. 1

Esta é, precisamente, a doença que aflige, em maior ou menor grau, a todas as causas políticas, sociais e econômicas do mundo moderno. Seus membros passam a vê-las, por projeção, como manifestação concreta e atual daquilo que tanto aspiram. A causa termina por se confundir com o ideal defendido, usurpando deste os valores que se lhe são próprios. Sua estrutura material ganha, de tal modo, uma aura de autoridade, mesmo que seu conteúdo – notadamente, as pessoas – esteja longe de representá-lo.

Neste aspecto, as associações gnósticas são ainda mais pretensiosas, pois os ingredientes ditos espirituais potencializam a exaltação imaginativa. O fato de elas justificarem suas existências a uma suposta conexão e patrocínio do sagrado – seja de um homem iluminado ou da “Loja Branca” - lhes dá ares de beatitude. A associação se apresenta, portanto, como algo acabado, perfeito, e suas obras e diretrizes o reflexo cristalino dos desideratos divinos.

Os “saltos exaltativos” podem muito bem ser identificados nos discursos de cada um de seus membros que, hora ou outra, inflam os pulmões para afirmar:

a) “temos um corpo de doutrina completo que sintetiza toda sabedoria universal e dá respostas a todas as aflições humanas, sendo desnecessário buscar outras fontes de conhecimento, pois a prática do que já se possui é suficiente”. 2

b) “Somos a única associação verdadeira, aquela que conservou as tradições de forma pura e, por tal razão, tem mais capacidade de ajudar seus integrantes e a humanidade do que qualquer outra”.

c) “Somos o Exército de Salvação Mundial, os responsáveis por retirar as almas do materialismo e ignorância estanques para despertar suas consciências às suas possibilidades transcedentais”.

d) “Estamos conectados com a Divindade, representada pela “Loja Branca”, da qual recebemos orientação e suporte.

O membro da instituição que se deixa persuadir por estes discursos se sente, cada vez mais, autossuficiente em vários aspectos de sua vida. Se nos limitamos aos dizeres acima citados, temos, por exemplo, autossuficiência nos campos: intelectual (relacionado com o item a); social (item b); vocacional (item c); e espiritual (item d).

Cada característica exaltativa funciona como uma pátina ignominiosa que camufla a verdadeira essência da estrutura material defendida (uma escola, uma associação, um partido político) até transformá-la em uma miragem perigosa. Já não se discute sua grandeza pelo nível das pessoas que a compõem, pelas obras que realiza ou pelo legado cultural que deixa à humanidade. Ela é grande por si só, por sua própria vontade e decisão, como se o simples fato de existir já bastasse. Esta autoproclamação e autoafirmação soam como brados imperativos que reverberam no subconsciente de cada um de seus integrantes, estremecendo o seu senso da realidade. Quando se apercebe, ele já prostrado ante a instituição, seu ideal antecipado.

O desfecho do processo é perverso. A pessoa acaba por se sentir em um porto seguro onde crava seus pés profundamente já que a mínima possibilidade de se ver novamente no labirinto da vida o aterroriza. Ali teria que encarar novamente - sozinho! - dúvidas, crises, dificuldades e provações recorrentes. Tribulações que, de sua zona de conforto, são respondidas facilmente com um chavão ou frase feita característico de seu meio que, se escutados com atenção, soam mais como um suspiro de alívio. O sujeito se aferra a estes discursos vazios com tanto afinco pois são o mais próximo da imagem do ideal que sua mente entorpecida conseguiu alcançar.

É a eloqüência falastrona daqueles que perderam a fé no ideal. Embevecidos pela soberba já nada fazem para buscá-lo e, por mais que pensem que estão progredindo, não percebem que estão se emaranhando cada vez mais nos caminhos da confusão e do engano. Homem de pouca fé, porque duvidaste? Mais vergonhoso do que se afogar ao pisar em falso sobre as águas, é permanecer no bote salva-vidas sem se dar conta de que a fé, a vontade, a maturidade, enfim, a proximidade do ideal, só se alcançam, justamente, enfrentando o oceano do desconhecido; e de braçadas descoordenadas à gestos precisos, chegar a exercer sobre ele domínio e poder. 

Mas aos olhos da instituição, um ato de coragem, quando voltado contra ela, é tido como heresia. Por tal motivo só pode existir um antídoto para esta doença: dessacralizar o contingente e transitório para colocar os valores em seu devido lugar, ou seja, no mundo soberano do ideal. Quando acreditamos que há uma autoridade abstrata insuperável - seja moral ou espiritual -, acima de qualquer outro ente terrenal, regulamos nosso sentido da realidade e voltamos, assim, a ver o mundo de uma forma equilibrada.

1 - http://www.olavodecarvalho.org/apostilas/ideais.htm
2 - Uma doutrina espiritual é, por definição, idealista. A crítica, portanto, não é à doutrina, mas aos seus defensores, que insistem em apresentar seu Ensinamento como uma tábua de salvação, sem ao menos compreendê-lo minimamente. Isso os torna incapazes de dialogar com outras idéias, pois tão logo elas aparecem são taxadas de inferiores ou incompletas.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Quem sou eu?



Meu nome é Hugo. Participei da AGEAC por mais de 10 anos, sete deles como difusor. Tempo suficiente para conhecer toda sua mentalidade alienante. Com a missiva abaixo, direcionada ao Sr. Oscar Uzcátegui (auto-proclamado V.M. Kwen Khan) , me despedi de vez desta instituição:


Escrevo esta mensagem para anunciar-lhe uma decisão, fruto de minha busca pela sinceridade.
A partir de hoje, já não faço parte da AGEAC. Não sou sacerdote, missionário, estudante e muito menos simpatizante desta instituição. O motivo de tão drástica decisão é a DESILUSÃO. Por muitos anos acreditei estar participando de uma causa sagrada, que poderia evadir-me da estreiteza da rotina pessoal e dar um sentido superior à minha vida.
Mas a simples identificação com uma “causa” não pode por si só enobrecer um homem. Quando vi que não tinha virtude suficiente para representar tão exigente “causa”, preferi sair de cena: interrompi as atividades da associação. Não me sentia bem realizando papéis que não conseguia preencher com minha substância pessoal. Realizava meus ofícios de forma oca, vazia, como um ator.
Até aí não havia nenhum grande problema: ainda reconhecia a “causa” como algo válido e verdadeiro. Caberia a mim somente abandonar o traje de artista e buscar desenvolver as virtudes necessárias para, um dia, estar à altura das circunstâncias de forma honesta e substanciosa.
Entretanto, as reflexões sobre minhas mentiras e contradições pessoais levaram-me a refletir sobre o meio em que estava inserido. Será possível que a debilidade que me aflige alcança também meus companheiros? Se todos sofrem do mesmo sintoma, não seria a associação um grande teatro, onde no palco principal se apresenta um espetáculo com belas e pomposas palavras: “liberdade”, “verdade”, “espiritualidade”; mas nos bastidores o que se vê é uma força alienante e perigosa que causa dependências, decepções e fanatismos?
A percepção de que a massa de pessoas que formam a associação é fraca sempre foi evidente para mim. Eu que, desde cedo, tive contato com as cabines diretoras, nos bastidores deste teatro, fiquei sabendo de muitas histórias, casos e acontecimentos que passam longe de ser enobrecedores ou dignificantes. Mas meu reflexo frente a estas situações sempre foi o mesmo de todos os meus companheiros: dizemos que o importante é o trabalho que está se fazendo desde os mundos internos, do qual somos simples instrumentos imperfeitos. Há que relevar a confusão temporária e contingente em função do bem maior e absoluto.
Naturalmente, frente a tantas contradições, o espinho da dúvida por vezes se revolvia deixando-me questionamentos profundos: não estaríamos exercendo todos uma autoridade para qual não temos competência suficiente? Será o corpo missional - miserável espiritualmente e pobre intelectualmente - o responsável pela “salvação mundial”? Não estaríamos negligenciando fatos negativos - físicos e concretos - em troca de uma dita promessa divina - desconhecida e misteriosa? Talvez Platão esteja certo: quando as pessoas começam a ocupar postos que não lhe condizem e não estão preparados para exercer, se instaura a desordem social, característica básica do mundo moderno.
No entanto, havia uma última evasiva em meu raciocínio e em meu coração: se a base e corpo da pirâmide institucional é incapaz, bastaria que seu topo – o dirigente maior – fosse um verdadeiro sábio, suficientemente maduro para orientar todo o exército de cegos a um resultado concreto. Afinal, este próprio dirigente se anunciava como sábio – um mestre! – que recebia orientações diretas da Inteligência Divina – seu próprio Ser e a Loja Branca. Coloquei todas minhas fichas em você, não por confiança, mas por amar uma coisa distinta da verdade querendo que isso que amava fosse a verdade. No entanto, como não queria enganar-me, mas ao mesmo tempo também não queria reconhecer que estava enganado, odiava a verdade por causa daquilo que amava em vez da verdade.
Por fim, fui buscar os fundamentos do respeito que tinha por ti. Estudei tua história, teus discursos, busquei as fontes de teu conhecimento, segui tuas pegadas... E logo, te inclui em um jogo para provar-te e testar-te com o intuito de verificar se a luz que refletes é por causa de tua densidade moral ou de uma simples projeção falaciosa. E, para minha surpresa, descobri toda a farsa: és um mentiroso, charlatão, impostor e hipócrita. A associação que construístes é uma mera continuidade de tua alma deformada: por traz das belas aparências se esconde o delito da falsidade. Falso profeta travestido em peles de ovelhas.
Fique sabendo que deixei de ser teu soldado para militar em uma nova causa: despir-te, mostrar a todos que querem, quem realmente és. Tenho suficiente informações e métodos para isso.
Agora só uma coisa pode interromper tua vergonha futura e inevitável: tua confissão voluntária e honesta, a todos que te circundam, sobre tua verdade. Não penses nas consequências imediatas de tal atitude, mas no compromisso com a verdade e no posterior perdão divino, duradouro e eterno.
Espero que reflitas sobre tudo isto. Aproveites estes instantes em que tens uma companheira - a doença - que te força à contemplação e revisão de tuas ações. “A verdade vos libertará”...e libertará a todos que te seguem.
Sinceramente,
Hugo